Trem das onze

Trem das onze, leva. Leva tudo! Leva meu tempo, corroa meus instantes na fartura do horror. Toma o meu peito, o meu corpo, afinal estou oca, oca, isso mesmo oca. Já não quero mais o coração vigoroso  gritando, sofrendo, amando, desmoronando. Quero apenas um vinho seco e um cigarro daqueles bem vagabundos. Estou sem hora, sem presa, sem temor, sem essência. Sim! Você está diante da indiferença atroz do delírio, e quando eu voltar irei me certificar que o ambiente onde estou, resplandeça morte. Sim, sou o cerne dessa desventura que carrega esse emblema, esse objeto, que levou o tempo e esqueceu o resto, e agora sinto-me amargurada, abandonada na linha do próprio, ridícula atuando para o calor dos trilhos.

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