Inversão
Sabe aqueles dias em que seus sentimentos estão confusos demais para serem colocados no papel? Dias em que tudo vira um amontoado de coisas sem conexão e o simples fato de escrever qualquer coisa dói, dói como uma faca apunhalada em suas costas? Não existe vontade de viver nesses momentos. Dispomos tudo em questionamentos sobre amizades, aparência, futuro, amor, família, entre tantas outras coisas. Algumas futilidades nas situações em que nos encontramos perdidos vem à tona. Existe um medo que se aloja em nossas entranhas, percorrendo toda a nossa corrente sanguínea como se nós não tivéssemos mais controle de nossas próprias ações e nessa hora ele senta e aprecia o teatro orquestrado por ele mesmo. Ele ri, ri muito, ri porque ele inventa todas as paranoias e cria todas as inseguranças, ele mesmo se intitula pai dos monstros psicológicos. Ele continua e continua transformando – os em nossos piores pesadelos, e quando temos a sensação de que acabou ele aplaude do seu camarote e diz – “Como vocês, humanos, são fracos, tolos e iludidos! Eu sou uma criação de suas mentes, eu posso ser derrotado; mas vocês insistem em continuar sofrendo. Insistem em permitir que eu seja a estrela da Divina Comédia que é a vida vazia de cada criatura neste ambiente poluído pela ignorância que insistem em chamar de mundo". E com isso ele se recosta na sua poltrona de verniz e volta a apreciar o seu passatempo favorito: a tortura psicológica que cada um provoca em si mesmo. E cada vez que isso acontece ele menciona – “Na idade antiga existiam as torturas por mau comportamento e descumprimento da lei, hoje eles fazem isso de graça, geração essa doente e fraca de autenticidade. Minha vida está ganha, terei entretenimento por toda a eternidade, bando de idiotas".
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