Amantes

Dilacerada fui em mil pedaços. Refiz -me na sua cama, nos seus braços. Loucura escrever algo que beira superficialidade, não? A minha insensatez seria não viver o sublime da vida no seu tempo hábil. Seus olhos são profundos, cheios de distorções e intenções. Meu semblante de ingenuidade é perspicaz, enganoso, uma visão vaga de quem sou. Não acredito em metades, sei que só combinamos em relação ao sexo. Você criou uma imagem atrevida, volátil, influenciável, uma personagem, e essa idealização foi a sua ruína. Coabitamos em um mundo cheio de possibilidades. Éramos bons amantes em conforto sinuoso. Afinal, ninguém sabia, só nós almas perversas que dividíamos a sagacidade nos lençóis. Um mundo onde a realidade é desestruturada e vagamente transparente no poço do suor febril.

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